“Ninguém disse que seria fácil, mas não precisava ser tão difícil”, por Thiago Gusso

Quem diria, um ano atrás, que estaríamos vivendo um momento como este no País. Ao completarmos o primeiro aniversário de pandemia no Brasil mês passado (março), esse vírus que muitos consideravam inofensivo no começo – outros consideram, equivocadamente, até hoje – já ceifou a vida de mais de 300 mil brasileiros. O mês de março de 2021 foi o pior desde que a Covid-19 foi identificada no País.

Mais uma vez, entramos no dilema: ampliamos as restrições ou focamos na manutenção das atividades econômicas? Muito difícil chegar a um consenso, mas é preciso compreender melhor no que implica cada uma dessas decisões. De imediato, é notório que os resultados de países que adotaram um verdadeiro lockdown (bem mais restritivo que esse visto na maioria das cidades brasileiras) foram melhores no combate ao vírus e se encontram, inclusive, bem adiantados em relação à retomada econômica. Por outro lado, é perfeitamente compreensível que muitos trabalhadores sejam contra tais medidas, porque na ausência de ações auxiliares dos governos, veem-se sem ter para onde recorrer atrás de seu sustento.

Um tema sempre muito abordado nas discussões sobre o assunto é a expressiva alta no número de desempregados. No Brasil, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa média anual de desemprego em 2020 foi de 13,5%, um recorde da série histórica, cujos registros tiveram início em 2012. Mas o aumento ocorreu em todo o mundo, com maior ou menor avanço. Os países que melhor controlaram a pandemia tiveram índices menos elevados nesse acréscimo no número de desempregados. A pobreza também vem crescendo em proporção semelhante e de acordo com a forma que cada país consegue ou não controlar a doença nesta pandemia.

É nesse contexto que as medidas de restrições e até mesmo o lockdown em casos mais extremos se torna, não só uma necessidade urgente, como a única forma de eficácia reconhecida na comunidade científica para amenizar a disseminação do vírus e, com isso, o impacto da doença na sociedade. Quanto a supostos tratamentos preventivos, não há nenhuma comprovação, infelizmente. Pelo contrário, começam a surgir relatos sobre alguns efeitos colaterais em alguns dos medicamentos utilizados, por superdosagem, já que para a finalidade de origem são consumidos em doses bastante inferiores às recomendadas por defensores de tratamentos alternativos à Covid.

De toda forma, qualquer decisão no sentido de ampliar restrições para um controle efetivo da doença depende de fatores externos a meras decisões, como a colaboração da população e uma ampla fiscalização das medidas, o que tem sido bem difícil de ser alcançado. Exceto nas primeiras semanas da disseminação da Covid-19 em 2020, as restrições sem apoio e sem efetivo de fiscalização suficiente impostas pelos governos estaduais e municipais realmente não funcionaram. É nesse cenário que o Brasil vai se destacando negativamente como o País que pior administra a pandemia, chegando a números recordes mesmo quando outros países seguem apresentando melhoras significativas a esse respeito.

Não adianta fechar estabelecimentos comerciais que recebem cinco pessoas por dia e deixar em pleno funcionamento indústrias que colocam centenas, às vezes milhares, de trabalhadores no transporte coletivo lotado sem nenhum cuidado. Isso é a fórmula exata do insucesso em ambos os setores: de saúde e econômico. Assim, não tem como não dar razão para o pequeno comerciante, que depende do seu estabelecimento para a sobrevivência e não enxerga efetividade nos movimentos de restrição, porque realmente não há nesse formato.

As pessoas também precisam entender a importância de se ter empatia, algo tão difícil nos dias de hoje, em que a polarização político partidária tomou conta do Brasil, ampliando o atraso em tantas áreas carentes do País ao focar em discussões que não trazem avanços à população.

Enquanto isso, resta-nos aguardar que os governantes desempenhem seus papéis e consigam colocar o País novamente no eixo. Do contrário, temo pelo nosso futuro enquanto nação.

Ninguém disse que seria fácil, mas não precisava ser tão difícil assim!

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Thiagão

Jornalista pela PUC/PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) com pós-graduação em Marketing Empresarial pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), Thiago Gusso já trabalhou em importantes projetos de comunicação de Curitiba (PR) e Itapoá. Atualmente, responde pela Direção do site Tribuna de Itapoá e do jornal impresso Itapoá Notícias, nos quais segue também em sua atuação como jornalista. E-mail: thiago@itapoanoticias.com

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