7 de março de 2026 - 05:10

Unidade clandestina de reabilitação em Itapoá integra rota de clínicas investigadas

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A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, na madrugada dessa terça-feira, dia 02 de dezembro, a operação “Barbacena”, que investiga um esquema criminoso envolvendo proprietários de clínicas de reabilitação que realizavam internações irregulares em diferentes cidades do estado. Entre os locais apontados pela investigação está Itapoá, onde, no mês de outubro, uma ação do Ministério Público resultou na interdição de uma clínica clandestina após denúncias de maus-tratos e cárcere privado.

A nova operação, conduzida pela Delegacia da Comarca de Imbituba, é resultado de um inquérito instaurado também em outubro, quando policiais civis que acompanhavam uma fiscalização municipal ouviram relatos de pacientes que afirmaram estar internados contra a vontade e sofrendo maus-tratos em uma unidade de Imbituba.

Investigação identifica esquema de remoções forçadas e rede de estabelecimentos, com uma unidade em Itapoá

Segundo a Polícia Civil, a investigação apurou que os pacientes eram abordados por indivíduos vestidos de preto, que em algumas situações chegaram a se identificar como policiais. As vítimas, conforme o relatório oficial, eram conduzidas às clínicas mediante ameaça, força física e administração de medicamentos.

Os policiais identificaram que, além de Imbituba, o grupo mantinha unidades clandestinas em Itapema, Garopaba e Itapoá. A prática incluía a remoção de pacientes para outras cidades quando surgiam denúncias. Isso, segundo a apuração policial, configurava uma estratégia para tentar evitar fiscalizações.

A investigação também apontou cobranças de cerca de R$ 5 mil por remoção e aproximadamente R$ 3 mil mensais pagas pelos familiares para a manutenção das internações.

O relatório da vigilância sanitária de Imbituba descreveu uma série de irregularidades, incluindo falta de alimentos, condições inadequadas de higiene, ausência de controle de medicamentos e inexistência de registros básicos sobre os pacientes encontrados.

Referência direta a Itapoá: caso recente reforça preocupação sobre clínicas irregulares

A citação a Itapoá na operação “Barbacena” ocorre menos de dois meses após o fechamento da clínica clandestina “Abraço de Mãe”, no centro da cidade, em 22 de outubro. Na ocasião, uma ação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) flagrou 31 pessoas mantidas irregularmente, muitas delas relatando estar ali contra a própria vontade.

O caso revelado à época pelo MPSC guarda semelhanças com os métodos apontados agora pela Polícia Civil. Na operação de outubro, relatos descreviam a prática conhecida como “protocolo de resgate”, na qual familiares pagavam cerca de R$ 5 mil para que dependentes químicos fossem recolhidos em procedimento que poderia envolver uso de força física.

No interior da unidade interditada em Itapoá, foram encontradas condições degradantes, incluindo colchões pelo chão, alimentação precária e medicamentos armazenados sem controle e em frascos improvisados. Três pessoas, entre elas a proprietária, foram presas em flagrante e o local permanece interditado.

Prisão, bloqueios e bens apreendidos

Na operação “Barbacena”, a Polícia Civil cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Garopaba, Itapema, Balneário Camboriú e Porto Alegre (RS). Houve ainda o bloqueio judicial de valores, imóveis e veículos de luxo, totalizando mais de R$ 1 milhão.

Também foi cumprida a prisão preventiva de um dos investigados em Porto Alegre. Outros dois permanecem foragidos.

Segundo a Polícia Civil, alguns dos envolvidos já respondiam a processos por sequestro, ligados à prática das chamadas “remoções”, e estavam em liberdade provisória com a condição de não realizar mais esse tipo de serviço.

O nome da operação faz referência ao Hospital Colônia de Barbacena, instituição psiquiátrica mineira marcada por graves violações de direitos humanos, conhecida como o “Holocausto Brasileiro”.

Diligências continuam

As ações seguem em curso com apoio de unidades da Polícia Civil de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, além da Polícia Militar.

Novas atualizações poderão ser divulgadas conforme o avanço das apurações.