7 de março de 2026 - 03:27

“Cultura: Gasto ou Investimento?”, por Mutti Kirinus

Mutti Kirinus - colunista Tribuna de Itapoa

FOTO: Mutti Kirinus / Arquivo Pessoal.

Uma das questões que sempre nos vem à mente, seja no uso de recursos públicos, privados ou mesmo pessoais, é entender como classificar esse uso na cultura: como gasto ou como investimento.

Refletindo sobre a diferença entre essas duas palavras, a principal delas é que o investimento traz uma expectativa de retorno, seja financeiro ou em forma de bem. Outra diferença, decorrente dessa expectativa, é que o investimento costuma ser algo planejado, com uma finalidade específica, enquanto o gasto tende a ser mais circunstancial.

Tomemos como exemplo um músico: ele pode investir em equipamentos ou em seus estudos visando um melhor resultado musical – seja por satisfação pessoal, pela aceitação do público ou na expectativa de mais contratos e cachês mais dignos, condizentes com os investimentos de tempo e recursos que sua profissão exige. Nesse caso, o profissional não teve um gasto, mas sim um investimento.

Ou seja, nem sempre o objetivo de um investimento é o retorno financeiro. Isso se aplica muito bem aos recursos públicos, já que, nesse caso, o retorno deve estar focado em um bem ou benefício para os cidadãos e trabalhadores da cultura da cidade. Embora já esteja comprovado que investir em cultura é fomentar um dos segmentos que mais movimentam a economia – distribuindo esse retorno por meio de impostos sobre produtos, prestação de serviços e aquecimento da economia local – um investidor do mercado financeiro buscará sempre o aumento de seu capital. Já um investimento cultural, ainda que possa gerar retorno financeiro, visa sempre a um bem, inerente à própria arte e à cultura. Nesse sentido, um investimento público tem o dever de preservar e incentivar a cultura local, especialmente quando os recursos são de esfera municipal.

Deixar de investir também é um equívoco, como na parábola da moeda enterrada. Cabe ao Município, ainda, captar recursos estaduais e federais por meio das ferramentas legais disponíveis e incentivar sua utilização. Não apenas em forma de emendas parlamentares visando benefícios eleitoreiros. Existem recursos federais, via impostos, que devem ser destinados e utilizados por meio do FIA (Fundo da Infância e Adolescência) e do Fundo do Idoso, mas que não são aproveitados em Itapoá. Em outros municípios, esses recursos já promovem bem-estar social sem o uso de verbas municipais.

Em suma, a pergunta que deve ser feita sobre cada uso de recurso é: esse uso teve uma finalidade? Foi planejado? Então não é gasto, é investimento. Os resultados podem ser, é claro, sempre melhorados, mas investir é sempre a melhor opção.