7 de março de 2026 - 05:11

“Cultura tem lado? Direita, esquerda? Não, Cultura é em frente!”, por Mutti Kirinus

Helmuth Kirinus (Mutti) (Tribuna de Itapoa)

Com grande sabedoria, Paulo Freire afirmou que a neutralidade é impossível, mesmo imóvel ou calado, seus atos cotidianamente tomam partido. Resta saber, eles são includentes ou excludentes. Palavras, pensamentos, gestos, opiniões, escolhas, atitudes, antes do voto já é tomar partido. Pode-se inclusive relativizar dentro do universo infinito de um indivíduo diversas atitudes excludentes e includentes em um mesmo dia.

Como versou o grande poeta do teatro ‘somos uma teia de vícios e virtudes, e nossos vícios nos desesperariam se nossas virtudes não os consolassem, e nossas virtudes nos envaideceriam se nossos vícios não os flagelassem.’ (W. Shakespeare) Somos imperfeitos, é certo, mas o melhor do ser humano, e em consequência da sociedade, é que somos perfectíveis. Somos por mais retrógados ou avançados que sejamos, somos passíveis de aperfeiçoamento, podemos sempre melhorar, progredir.

Neste processo de perfectibilidade, já superando no parágrafo anterior a polarização algorítmica (direita e esquerda) proporcionada pelas redes sociais e suas escolhas das informações que teremos prioritariamente mais acessos, a cultura é sem dúvida o motor de toda e qualquer evolução ou progresso da humanidade.  Enfim a cultura é o motor da perfectibilidade, ou seja, do movimento que nos leva para nos tornarmos melhores enquanto pessoa e enquanto sociedade.

A lei Rouanet foi efetivada em uma gestão de direita, com Fernando Collor na presidência, a lei Aldir Blanc e Paulo Gustavo foi proposta e conquistada pela esquerda em outra gestão da direita, que teve de aceita-las pela maioria do congresso e do senado, apesar das tentativas de veto do então presidente representante da extrema direita.

É óbvio que os produtos culturais gerados através dessas ferramentas são o que movem uma cidade e um país para sua perfectibilidade. É também lógico e mais provável que em uma ideologia e gestão includente e que apoia a cultura, o que é uma prioridade historicamente comprovada pelas ideologias de ‘esquerda’, para usar uma denominação nem sempre eficaz e nos dias de hoje ilusória por conta dos algorítmicos, que a cultura e seu poder de transformação benéfica para a sociedade têm mais chance de acontecer.

Enfim, se a sua posição política não é de direita ou de esquerda, mas seu desejo é ver a cidade e país caminhar para frente, apoie os candidatos e partidos que tem um compromisso com a cultura.

3 thoughts on ““Cultura tem lado? Direita, esquerda? Não, Cultura é em frente!”, por Mutti Kirinus

  1. O Desenvolvimento Cultural em Itapoá, passa longe de ideologias. As leis de incentivos também. Para que esse desenvolvimento ocorra, são necessários agentes promocionais, que saibam desenvolver bons projetos de captação junto à Iniciativa privada. Incentivar a comunidade à participar e coordenar com muito esmero e competência, essas açōes. Posso afirmar, que hoje Itapoá é modelo bem sucedido às demais cidades do nosso Estado.

  2. Muito legal o teu texto, Muth! Buscar constantemente o equilíbrio nas nossas ações diárias não tem nada de excepcional e deve ser um exercício constante, independentemente daquilo que defendemos.

Comments are closed.