4 de junho de 2026 - 18:35

Taxação dos EUA de 25% ameaça exportações industriais de Santa Catarina

Pelo 9o ano seguido, Porto Itapoa lidera recomendacao de clientes no Brasil 2

FOTO: Porto Itapoá / Divulgação.

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) emitiu um alerta preocupante para a economia do estado. Uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugere a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre as importações vindas do Brasil, o que pode atingir em cheio o setor produtivo catarinense.

A medida, baseada na Seção 301 do Trade Act de 1974 norte-americano, foca prioritariamente em produtos manufaturados. Como a pauta exportadora de Santa Catarina para o mercado americano é altamente industrializada, o estado deve sentir o impacto de forma muito mais intensa do que o restante do país.

Impacto desproporcional para os catarinenses

De acordo com uma análise preliminar realizada pela FIESC, a vulnerabilidade de Santa Catarina diante dessa possível taxação é alarmante. Enquanto a média das exportações brasileiras possui entre 47,5% e 50,9% de produtos isentos da nova tarifa, no cenário catarinense a realidade é bem diferente. Apenas entre 3,2% e 5,8% das exportações de Santa Catarina para os EUA estariam livres da taxa de 25%. O restante do volume exportado corre o risco direto de sofrer o reajuste tributário. Somente de janeiro até abril deste ano de 2026, as exportações catarinenses para os Estados Unidos já somaram R$ 330,8 milhões.

“A recomendação do USTR é especialmente preocupante para Santa Catarina pelo perfil das exportações do estado para os Estados Unidos, mais focada em produtos manufaturados”, explicou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.

Ficam de fora da nova tributação, apenas commodities e setores específicos que já são regulados por outras normas rígidas, como é o caso do aço e do alumínio.

Mobilização e orientação aos exportadores

Como a lista preliminar de taxação americana abrange cerca de 1,7 mil itens, a FIESC está orientando as indústrias catarinenses a verificarem de maneira individualizada se os seus produtos se enquadram em alguma das exceções previstas.

Apesar do cenário de alerta, a medida ainda não é definitiva. O governo americano abriu um período de consulta pública antes de aplicar as tarifas formalmente. Diante disso, a FIESC confirmou que vai coordenar ações conjuntas com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para defender o setor produtivo. Ambas as entidades do comércio e da indústria seguem acompanhando o caso e dialogando com autoridades de ambos os países para buscar soluções que protejam a parceria econômica bilateral.