7 de março de 2026 - 03:06

“Multiplicação de Saberes” leva musicalização a professores de Itapoá

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FOTO: Breno Bigi / Divulgação.

Projeto cultural capacitou docentes para trabalharem flauta doce em sala de aula

O projeto cultural “Multiplicação de Saberes”, patrocinado pelo Porto Itapoá e realizado pelo Centro Cultural de Música de Itapoá (CCMI) e Escola Tocando em Frente, encerrou suas atividades em Itapoá após formar professores da rede municipal de ensino na área de musicalização. A iniciativa foi conduzida pelo professor André da Silva, licenciado em Música e pós-graduado em Educação Especial e Inclusiva. Na ação, ele ministrou 24 horas de aulas voltadas ao ensino da flauta doce como instrumento de base para o aprendizado musical.

Segundo André, a proposta surgiu da constatação de que muitos alunos chegavam ao sexto ano do Ensino Fundamental sem qualquer contato prévio com teoria musical. “Eu percebia que olhavam para uma partitura como se fosse algo impossível de compreender. Então pensei: se os professores que atuam do 1º ao 5º ano tiverem essa formação, poderão multiplicar os conhecimentos com os alunos e facilitar esse processo”, explicou.

 

Conteúdo programático

O curso foi estruturado em 16 horas presenciais e 8 horas de estudo remoto, com videoaulas e exercícios. O conteúdo incluiu:

– Os três elementos básicos da música;
– As quatro propriedades do som;
– Noções de notação, leitura e escrita musical;
– Prática instrumental e de conjunto com flauta doce.

Além disso, foram utilizadas músicas folclóricas conhecidas, como “Borboletinha”, “Peixe Vivo” e “A de Alegria”, além da composição de seis canções autorais que retratam a cidade de Itapoá, adaptadas ao alcance da flauta doce.

Impactos já percebidos

De acordo com o proponente, a receptividade dos professores foi marcante: “Alguns já estão utilizando o método em sala de aula. Teve docente que comprou flautas para os alunos e começou a aplicar as atividades imediatamente”.

Entre os resultados, André destaca que participantes sem conhecimento prévio em música passaram a ler partituras, compreender a teoria e executar melodias na flauta. “Ver professores que chegaram leigos saindo do curso tocando e lendo partitura foi gratificante”, afirmou.

 

Desafios e aprendizados

O professor destacou como desafio a criação das músicas autorais dentro de parâmetros pedagógicos acessíveis. “Foi difícil compor algo simples, mas que tivesse qualidade melódica e pudesse ser trabalhado dentro das limitações técnicas do instrumento”, contou.

Para ele, o maior aprendizado foi a confirmação da importância de investir na formação de educadores: “Sozinho, é difícil atingir aluno por aluno. Mas, quando formamos os professores, conseguimos ampliar muito mais o alcance da educação musical”.

 

Perspectivas de continuidade

André acredita que a experiência abre portas para futuras edições e até para a inclusão de outros instrumentos. “Projetos como esse engrandecem a cultura local, ainda mais em Itapoá, que hoje é reconhecida como a capital da música de Santa Catarina”, destacou.

 

Música como ferramenta de transformação

Encerrando sua fala, o professor reforçou o caráter social da iniciativa. “Música é salvação. Ela salva o espírito e o corpo. Que empresas da cidade sigam apoiando projetos sociais e pedagógicos como este, porque eles transformam a vida dos alunos e contribuem para afastá-los de caminhos ruins, como drogas e violência”.

O projeto “Multiplicação de Saberes” foi realizado pelo Centro Cultural de Música de Itapoá (CCMI) e pela Escola Tocando em Frente, com apoio da Prefeitura de Itapoá e patrocínio do Porto Itapoá, através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura.