7 de março de 2026 - 04:50

Dragagem da Baía da Babitonga trará intervenções estratégicas em Itapoá

Dragagem da Baia da Babitonga trara intervencoes estrategicas em Itapoa - Capa Tribuna de Itapoa

IMAGEM ilustrativa gerada por IA.

Uma série de ações conjuntas com repercussão econômica, portuária e ambiental vai movimentar o litoral catarinense, com destaque para Itapoá. Na próxima terça-feira, dia 23 de setembro, será assinada a ordem de serviço que autoriza o início da dragagem do canal de acesso ao Complexo Portuário da Baía da Babitonga. A empresa belga Jan De Nul será a responsável pela obra, que traz impacto direto para o município de Itapoá, tanto no desenvolvimento portuário quanto na orla costeira.

O que está previsto com a dragagem

– O calado do canal de acesso será ampliado de 14 metros para 16 metros.- Atualmente, o Complexo Portuário da Baía da Babitonga comporta navios com até 336 metros de comprimento, movimentando cargas em torno de 10 mil TEUs; com a obra, o canal estará apto a receber embarcações de até 366 metros, e a capacidade será elevada para aproximadamente 16 mil TEUs.

– O valor total do contrato com a Jan De Nul é de R$ 324 milhões.

– O investimento será feito por meio de uma parceria público-privada (PPP) entre os portos de São Francisco do Sul e Itapoá: São Francisco do Sul investirá R$ 24 milhões, Itapoá arcará com R$ 300 milhões.

– A previsão é que a obra comece ainda em 2025, e seja concluída no segundo semestre de 2026.

Mitigação ambiental e engorda de praia

Uma parte importante do projeto está relacionada com compensações ambientais, com especial atenção às áreas costeiras de Itapoá:

– Estima-se que 12,5 milhões de metros cúbicos (m³) de sedimentos de dragagem sejam retirados do fundo do mar. Metade desse volume será utilizado no alargamento da faixa de areia da orla de Itapoá, para compensar perdas por erosão costeira.

– O uso desses sedimentos para “engorda de praia” é inédito no Brasil: será a primeira vez que sedimentos de dragagem portuária vão ampliar a faixa de uma praia no país, e apenas a segunda vez no mundo.

– Também será contratada empresa (ou consórcio) de fiscalização das obras – Geplan e Prosul – para monitoramento detalhado das etapas: análise da compatibilidade dos sedimentos, modelagem topográfica da área de praia ampliada, cumprimento das cotas de profundidade no canal, entre outros aspectos ambientais e técnicos. O contrato de fiscalização tem valor de R$ 9 milhões.

Ações preparatórias: limpeza de praia em Itapoá

Paralelamente às questões estruturais, há iniciativas locais de preservação ambiental:

– Nessa quinta-feira, dia 18 de setembro, a empresa belga Jan De Nul, que será a responsável pela dragagem, realizou uma ação de limpeza de praia de aproximadamente 1,4 quilômetro em Itapoá. O trecho limpo vai do canteiro de obras da empresa até o Farol do Pontal.

– A ação fez parte das comemorações do “Dia Mundial da Limpeza de Rios e Praias” celebrado neste sábado, dia 20 de setembro, além de ser inserida como parte da responsabilidade socioambiental da empresa antes de iniciar efetivamente os trabalhos de montagem dos canteiros de obra.

Quem participa da assinatura e importância para Itapoá

– A cerimônia de assinatura será em São Francisco do Sul e são esperadas as presenças do Ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e do governador catarinense, Jorginho Mello.

– Para Itapoá, o projeto representa não só o fortalecimento logístico-portuário, mas também ganhos na orla: a expansão da faixa de areia pode contribuir para turismo, proteção contra erosão costeira e valorização de imóveis.

Desafios e expectativas

– Será essencial garantir que os sedimentos usados para engorda da praia sejam compatíveis ambientalmente, especialmente quanto à granulação, contaminação etc. A fiscalização contratada tem papel crucial nisso.

– A obra envolve prazos ambiciosos: início ainda neste ano de 2025, conclusão em 2026. Há risco de atrasos por burocracia, licenças ambientais, condições climáticas ou logísticas.

Conclusão

Para Itapoá, o momento é marcante: a obra de dragagem do acesso ao Complexo Portuário da Baía da Babitonga, com investimento robusto, une interesses portuários, ambientais e turísticos. Ao mesmo tempo em que se prepara para ampliar capacidades de movimentação marítima, o município se envolve diretamente com ações de preservação, engorda de praia e compensações que poderão reduzir impactos costeiros. Agora, resta acompanhar de perto a execução rigorosa, a efetiva qualidade ambiental dos sedimentos e o cronograma para que o empreendimento gere os benefícios prometidos.