7 de junho de 2026 - 16:10

“Morar ou pertencer a Itapoá?” por Werney Serafini

Werney Serafini

FOTO: Werney Serafini / Arquivo Pessoal.

A indagação foi o disparador da esclarecedora palestra “Briefing de Inteligência: O Custo da Omissão e o Sistema Itapoá Mais Segura”, proferida pelo Comandante da Policia Militar de Itapoá, Major PM Richardson Bortolini Lima.

Para uma expressiva plateia, composta por tomadores de decisão, gestores da Prefeitura, políticos, líderes comunitários e formadores de opinião, apresentou um diagnóstico analítico da segurança local, apresentando dialeticamente pontos positivos e negativos, dificuldades inerentes e sugestões de alternativas para aperfeiçoamentos.

Destacou, embasado em estatísticas recentes, que Itapoá não é tão somente a cidade com os maiores índices de crescimento populacional do Estado, mas também, um polo de desenvolvimento logístico e turístico de excelência. Que para a continuidade desse desenvolvimento o modelo tradicional de segurança precisa, necessariamente, evoluir para um ecossistema integrado transformando a ordem pública em ativo que valorize o lugar.

Discorreu sobre a arquitetura básica do “Projeto Itapoá Mais Segura” que pretende alinhar com a inteligência da PMSC, gestores públicos, iniciativa privada e a população da cidade.

Há que se entender o que vem a ser pertencimento. Pertencer a uma cidade é mais do que simplesmente morar nela. É quando, aos poucos, a cidade começa a morar nas pessoas. É quando há identificação com a cultura, com os moradores e se percebe como a vida acontece no espaço urbano, desde as pequenas escolhas, como o café de sempre, o caminho repetido, a praia preferida, os encontros que ficam gravados na memória.

Fez por lembrar, também, a “Teoria das Janelas Quebradas”, surgida nos anos 1980 nos Estados Unidos, notadamente na cidade de Nova York, que consiste na constatação de que sinais de desordem e abandono, a exemplo de uma janela quebrada em um prédio e não consertada, termina por incentivar mais deterioração e até delitos mais graves. Ou seja, uma cidade descuidada, desleixada, abandonada, atrai vandalismo. Um ambiente do tipo “ninguém se importa”, com lixo espalhado nas ruas, pichações em muros, prédios públicos mal conservados, ruas esburacadas, falta de calçadas, arborização e outros descasos – mostrado em imagens recentes colhidas na cidade – contribuem para um clima de desleixo e insegurança. Na essência, a teoria sugere que ordem gera ordem e desordem mais desordem.

A lógica é simples: o que você tolera ou omite, cresce. Na vida pessoal, pequenas negligencias viram grandes problemas. No trabalho, nas empresas, ambientes desorganizados, sem regras claras, tendem a piorar com o tempo. No mundo digital, muito visível atualmente, Fake-News não combatidas geram desinformação e confusão. Em contraponto, uma cidade cuidada e conservada gera pertencimento e evita que problemas maiores apareçam.

A postura da Policia Militar em Itapoá, sem dúvida, é um estimulo positivo para a segurança da cidade!

Parabéns Major Lima pela excelente apresentação!

 

Itapoá (Outono), março de 2026.

 

 

Werney Serafini, é presidente da ADEA – Associação de Defesa e Educação Ambiental.