Cultura e Communitas, por Mutti Kirinus

Emprestamos o conceito de limiaridade de Victor Turner para refletir sobre nosso tema constantemente revisitado sob diferentes perspectivas, a cultura. Em seu estudo antropológico dos ritos de passagem, Turner descobriu que em toda sociedade estruturada, existem lugares e momentos de limiaridade. O espaço e momento ‘limiar’ tem a característica de estar na fronteira entre o mundo estruturado com suas castas, classes sociais, status, divisão de trabalho, etc., e o mundo não organizado, homogêneo e igualitário. Esse modo de relação igualitário na limiaridade, ele batizou de communitas. Esse momento ‘limiar’ tem…

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Desobediência Civil e Cultura, por Mutti Kirinus

Contando a história do Violão Brasileiro para os alunos das escolas municipais de Itapoá, através do projeto Sua Majestade o Violão, encontramos dois exemplos de desobediência que favoreceu toda a história da música brasileira. Como, na época, o violão era um instrumento marginalizado, tanto Américo Jacomino (São Paulo, 12 de fevereiro de 1889 — São Paulo, 7 de setembro de 1928) – o Canhoto – como Heitor Villa Lobos  (Rio de Janeiro, 5 de março de 1887 — Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1959 estudavam e praticavam o…

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Rotina e o Ritual, por Mutti Kirinus

Em todas as sociedades, sem exceçoes, a arte sempre esteve relacionada com a religião. Ela foi, e ainda é, instrumento de expressão do invisível, do que não pode ser expresso pelo discurso racional, do que não tem explicação. Para dar materialidade para esta particularidade de necessidade de religar-se ao infinito inerente ao ser humano, os ritos através da constante repetição, tornam sólidas as memórias em torno dos valores que vão além do individual. No ocidente, Mozart é considerado por muitos o primeiro grande compositor que se poderia chamar de músico…

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Gosto se discute, por Mutti Kirinus

A discussão sobre o gosto é um tema abordado pela filosofia desde Aristóteles, e dentro das disciplinas abordadas por ela é conhecida como Estética. Ou seja, o gosto a partir de 300 anos antes de Cristo não só é discutível como, desde então, foi amplamente discutido. Essas reflexões presentes na filosofia têm a sua essência na pergunta: o que faz uma obra de arte ser uma obra de arte? Em outras palavras, parafraseando nosso querido poeta gaúcho Mário Quintana, no âmbito da literatura, a pergunta é: o que faz um…

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Sobre natural, por Mutti Kirinus

No segundo artigo da coluna cultural no site Tribuna de Itapoá (Você tem fome de quê?, março de 2016) esclarecemos a diferença dos vários sentidos em que a palavra “cultura” é usualmente utilizada. No seu aspecto mais abrangente, podemos chamar de cultura tudo aquilo que “não dá em árvore”, ou seja, tudo aquilo que, pela mão do ser humano, deixou de ser autenticamente natural. Antropologicamente, podemos chamar de cultura, os costumes de um povo, o seu “jeito”, ou a sua filosofia enquanto conjunto de princípios que, conscientes ou não, determinam…

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Cultura à vista ou conversa fiada – Cultura, Ideologia e Alienação, por Mutti Kirinus

Sabiamente, enunciou uma vez, o pensador Paulo Freire: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.” No artigo do mês de março, fizemos uma referência a uma ideologia da demonização da cultura. Mas qual é o sentido de ideologia utilizado em tal artigo? Ora, é justamente isso: quando um discurso (oral, escrito, ou através de imagens) é utilizado para conquistar o consentimento da população e não condiz com a…

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